quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Orbis

Em defesa de Julian Assange

opiniao | 8 Dezembro, 2010 - 00:00 | Por Tomi Mori
 
Nenhum homem neste planeta tem enfrentado uma luta tão desigual.
Nenhum homem tem sido mais perseguido neste planeta do que Julian Assange.
Nenhum homem neste planeta tem enfrentado uma luta tão desigual com adversário, ou inimigo, tão poderoso como o governo americano, liderado por Barack Obama.
Um ataque moral, pois está a ser acusado e preso por ter cometido violência sexual, coisa que nega.
Um ataque político, já que é acusado de ser terrorista, sem ter sequer levantado um dedo ou disparado algum tiro.
Um ataque e guerra tecnológica, cibernética, já que o site que dirige, Wikileaks, está a ser atacado violentamente por hackers, que não saem à luz para dizer a que interesses defendem. Mas impedem que a opinião pública mundial possa aceder as informações.
Uma guerra que forçou o Wikileaks, um pequeno e valoroso exército, a bater em retirada das terras americanas, onde foi perseguido e impedido de existir de maneira totalmente arbitrária e sem que se pudesse defender.
Qual o crime de Julian Assange? Colocar à disposição de toda a população do planeta a verdadeira face dos déspotas e hipócritas que lideram todos os países existentes na face da terra. A publicação da correspondência secreta da diplomacia americana teve o mérito de desmascarar de vez uma coisa que todos sabíamos, mas não podíamos provar. Seria isso um crime? Seria isso terrorismo?
Defender Julian Assange é defender o nosso próprio direito a conhecer o que realmente fazem os homens e mulheres que dizem representar-nos.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O Triângulo Trucidado


Libertei-me das Mágoas
Dilacerei as entranhas
Vim-me de Prazer
E
Horror!
Ri-me
Em qualquer lugar…
Vociferei
Uivei
Gargalhei
Triângulo Dourado
Trucidado por um Meteoro
De
Anéis Inconfundiveis

domingo, 20 de junho de 2010

José Saramago - O caminho de Salomão

o caminho de salomão_doc from JumpCut on Vimeo.

Parada gay: número de participantes aumenta para o dobro


Aprovação do casamento gay terá estado na origem do optimismo

A 11ª Marcha do Orgulho LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros), mais participada que em 2009, percorreu algumas ruas da Baixa lisboeta, com milhares de pessoas a pedir o direito de todos seguirem as suas opções sexuais, sem discriminação.

No início da Marcha, a organização já esperava uma participação «mais significativa» que na edição anterior, onde estiveram 2500 pessoas. Depois de deixar o Largo do Príncipe Real e já no Chiado, a estimativa era já de cerca de cinco mil participantes.

O optimismo das 18 entidades que fazem parte da organização, quando em 2009 eram 11, está muito relacionado com a aprovação recente da lei que permite o acesso ao casamento civil de pessoas do mesmo sexo.

Clara Metais, da organização da iniciativa, disse à Agência Lusa que, com a iniciativa, é esperado que «se tornem cada vez mais visíveis as discriminações sentidas pela comunidade LGBT».

Depois da lei relacionada com o casamento civil, «o próximo passo é a adopção» pelos «casais gays lésbicos», mas também a lei de identidade de género e a procriação médica assistida, referiu.

Clara Metais considerou que, «apesar da lei aprovada, isso não quer dizer que se vai tornar prática corrente». Carlos Gonçalves Costa, também da organização da Marcha concordou realçando que «estas coisas demoram sempre algum tempo a surtir efeito».

Por outro lado, «as questões de cidadania não podem ficar por aqui, nem pela garantia de direitos por parte do Estado. É importante que haja uma transformação de mentalidades» e «um reconhecimento de crianças que já existem, de gays e de lésbicas».

domingo, 11 de abril de 2010

Comissão Europeia repreende Governo português


O Governo aplicou desde 2008 apenas uma percentagem mínima dos milhões de euros disponibilizados para ajudar agricultores e tornar eficaz a protecção ambiental, no âmbito do PRODER. A informação chegou na resposta a uma pergunta da eurodeputada Marisa Matias à CE.

A Comissão Europeia (CE) enviou no início deste ano “uma série de observações e recomendações a Portugal a fim de melhorar a aplicação” do Programa de Desenvolvimento Rural de Portugal Continental (PRODER), no qual se insere a Rede Natura 2000.
A CE “está consciente” de que o PRODER “regista atrasos” lesse na informação que chegou esta semana em resposta a uma pergunta da eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias à comissão.
Marisa Matias interrogou a CE sobre a taxa de execução financeira muito reduzida de duas medidas de apoio do PRODER estabelecidas em Dezembro de 2008: a manutenção da actividade agrícola em zonas desfavorecidas dentro da Rede Natura e o lançamento de nove Intervenções Territoriais Integradas.
Até agora apenas, respectivamente, 3,8% e 15% dos fundos europeus disponíveis para estas medidas foram aplicadas pelo Governo português (de um num montante total de 53,9 milhões de euros provenientes da reprogramação de fundos do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural no âmbito do PRODER).

A CE revelou à eurodeputada que tem “mantido contactos estreitos com as autoridades competentes em Portugal e está a acompanhar de muito perto a situação”.
Desde que o programa foi aprovado, em Dezembro de 2007, a Comissão participou em quatro reuniões do comité de acompanhamento para este programa e convidou a autoridade de gestão do PRODER para duas reuniões de exame anuais, a última das quais foi realizada em 28 de Janeiro de 2010.

Estas reuniões visavam, designadamente, analisar e debater as dificuldades de aplicação e os atrasos registados em relação a várias medidas, tendo contribuído para definir propostas e soluções para os problemas com que as autoridades portuguesas se deparam.
“A Comissão considera que o PRODER deve ser aplicado progressiva e eficazmente, de forma a não prejudicar os agricultores, salvaguardando os valores ambientais” e “garante” à eurodeputada que “continuará a acompanhar de perto a situação, em cooperação com as autoridades portuguesas”, informa o comunicado de imprensa do grupo parlamentar europeu do Bloco.
No comunicado, Marisa Matias afirma a sua posição considerando que o PRODER tem de ser executado “atempadamente, de forma a não prejudicar os agricultores, salvaguardando os valores ambientais e viabilizando o financiamento de projectos de gestão e conservação da biodiversidade nestas áreas”.

Van Gogh

The Lounge Lizards - Bob The Bob

Lembrando Augusto Boal

 
 
 
Teatro do Oprimido: Lutas e Percursos

domingo, 11 de Abril de 2010 :: a partir das 16h30



Augusto Boal deixou-nos no dia 2 de Maio de 2009. Augusto Boal deixou-nos o Teatro do Oprimido, um método de trabalho artístico, social e político hoje utilizado em mais de 70 países por todo o mundo.



O GAIAC – Grupo de Acção e Intercâmbio Artístico e Cultural organiza no Porto um encontro de homenagem ao fundador do Teatro do Oprimido, com debates, vídeo e música.

Este encontro Lembrando Augusto Boal. Teatro do Oprimido: Lutas e Percursos será um momento de partilha de experiências de Teatro do Oprimido em Portugal, um convívio reflexivo e animado de palavras, imagens e sons. Ele acontece no momento final de um projecto europeu sobre democracia, que envolveu jovens de vários países em sessões de teatro-fórum e em actividades de expressão plástica. Contaremos com a presença de Iwan Brioc, curinga, artista comunitário, com uma vasta experiência nas artes participativas, um dos responsáveis pela divulgação do Teatro do Oprimido em Portugal e que estará no nosso país especialmente para este encontro.

O encontro terá lugar no Splashback, junto à Praça dos Poveiros, no Porto. A entrada é livre e a porta está aberta a todos e todas.


DOMINGO, 11 DE ABRIL DE 2010

SplashBack :: Poveiros :: Porto

16h30 :: Inauguração de exposição alusiva ao tema Democracia Participativa

17h30 – 20h :: Sessão sobre Teatro do Oprimido dinamizada por Iwan Brioc e por José Soeiro, com participação de várias associações e pessoas ligadas ao Teatro do Oprimido

21h30 :: Projecção de filmes sobre Augusto Boal e o Teatro do Oprimido
22h30 :: Concerto Meu Caro Amigo: músicas para Augusto Boal.
Rui David e o Condomínio cantam músicas em homenagem a Augusto Boal.

 
SplashBack, Praça dos Poveiros, Porto

terça-feira, 6 de abril de 2010

O vídeo que o Pentágono escondeu



Em Julho de 2007, helicópteros norte-americanos abriram fogo e mataram doze pessoas numa rua de Bagdad, duas delas em serviço para a agência Reuters. O Pentágono sempre afirmou tratar-se de uma acção contra forças hostis. As imagens agora divulgadas pela Wikileaks provam o contrário

José Afonso - Os Vampiros (ao vivo no Coliseu)

quarta-feira, 31 de março de 2010

Under the bridge - Red Hot Chili Peppers Music Video Warner Brothers Inc


O Bloco de Esquerda vai apresentar esta quarta-feira, no parlamento, um projecto de resolução para combater a discriminação dos homossexuais e bissexuais nos serviços de recolha de sangue.
"A pergunta eliminatória que é feita em serviços de recolha de sangue em vários hospitais - 'se, sendo homem, teve relações com outro homem' - é uma pergunta sem sentido e que tem como única razão de exclusão dos dadores um preconceito que nada diz em termos da qualidade do sangue", sustenta José Soeiro, deputado do Bloco.

"Nós defendemos que, na doação de sangue, existam critérios rigorosos sobre comportamentos de risco que permitam assegurar toda a qualidade na recolha. Mas o ato de doação de sangue é um ato de generosidade e ninguém deve ser excluído com base em critérios preconceituosos", sublinhou à agência Lusa.

Considerando "inaceitável" que existam instituições portuguesas, nomeadamente hospitais, a proibir um homossexual masculino de dar sangue, o Bloco de Esquerda defende que os critérios para aceitação dos dadores devem centrar-se em comportamentos que possam colocar em causa a qualidade do sangue e não "na orientação sexual ou num critério que está ultrapassado, que é o de que existem grupos de risco".

Para José Soeiro, o projecto de resolução do Bloco que irá ser apresentado na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, torna-se ainda mais pertinente pelo facto de, no mês passado, se ter registado uma carência de sangue disponível para transfusões.

"Sabemos que, em Fevereiro, houve uma ruptura de stocks no Instituto Português do Sangue e, portanto, não faz sentido excluir pessoas capazes de dar sangue com base num preconceito. Isso prejudica o país, prejudica as pessoas que precisam de sangue e alimenta um preconceito injustificado", reiterou.

O projecto do Bloco deverá ser votado favoravelmente pelo PS, disse à Lusa o vice-presidente da bancada parlamentar socialista Ricardo Rodrigues.

"O PS é contra todas as discriminações e, neste caso, vislumbra-se uma discriminação sem qualquer apoio legal ou justificação. Assim, e eventualmente não concordando com alguma adjectivação ou conteúdo da proposta do Bloco, estamos na disposição de a votar favoravelmente", afirmou.

No projecto de resolução, o Bloco assinala que "continuam a existir diversos serviços públicos de recolha de sangue que incluem nos seus questionários perguntas explicitamente homofóbicas, caso do Hospital de Santo António, no Porto”. Outros estabelecimentos de saúde são apontados locais onde há tratamento discriminatório, como o Hospital de São João no Porto, o Instituto Português de Sangue de Lisboa e o Instituto Português de Oncologia.

Com vista a combater a situação, o projecto apela à "imediata reformulação de todos os questionários que contenham enunciados homofóbicos" e à "divulgação de um documento normativo da responsabilidade do Ministério da Saúde, que proíba expressamente a discriminação dos e das dadores/as de sangue com base na sua orientação sexual e esclareça que os critérios de suspensão se baseiam na existência de comportamentos de risco".





Gotan Project

terça-feira, 23 de março de 2010

Restrained, painting

Mary Church, 12th grade, PCCA at Gibbs High School, St. Petersburg



Marchello, digital art
Monika Tsoneva, 12th grade, St. Petersburg High School

sexta-feira, 12 de março de 2010

José Soeiro: "O Estado é o maior patrão de precários"



11 de março de 2010 — A propósito da discussão do Orçamento de Estado, o deputado José Soeiro refere-se à questão da precariedade e ao outsorcing promovido pelo Estado. Soeiro apresenta uma proposta do Bloco de Esquerda que contempla o impedimento de trabalho temporário e de estágios não remunerados para funções permanentes na função pública

terça-feira, 9 de março de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Como se constrói uma mentira

A reportagem de Hugo Franco, publicada na edição do Expresso de 16 de Janeiro, devia configurar um caso-de-estudo para estudantes de jornalismo. A comunicação social assume um papel fulcral na nossa sociedade e ajuda a população a criar opinião sobre este ou aquele assunto. Por isso, a imprensa devia basear-se em princípios democráticos e não servir os interesses dos seus proprietários.




E porque devia ser esta reportagem objecto de estudo? Porque ajuda a perceber como se pode utilizar o jornalismo para sustentar a deturpação através da manipulação e da mentira. Nesse sentido, a reportagem sobre a Associação de Solidariedade com Euskal Herria (ASEH) é bastante útil. Não há distância maior entre a realidade e a mentira do que aquela que o Expresso veiculou violando preceitos éticos e deontológicos consagrados no Código dos Jornalistas.



O Expresso integra esta reportagem numa secção intitulada “terrorismo” quando, como veremos, a ASEH não comete ou apoia qualquer acção terrorista. Esta organização foi criada com o objectivo de denunciar a situação que vivem milhares de cidadãos bascos alvos da repressão do Estado espanhol. Desde o início, optou por não ter qualquer posição sobre a luta armada da ETA. Não só porque existem diversas sensibilidades sobre o assunto dentro da ASEH mas também porque o foco central da solidariedade com o povo basco vai para a defesa da autodeterminação, objectivo defendido por vários partidos bascos, entre legais e ilegais, entre anti-ETA e pró-ETA.



Contaminar a questão basca com as acções da ETA é o que pretende o Estado espanhol para que se esconda a realidade das ilegalizações de partidos, de organizações juvenis, de jornais e rádios, dos assassinatos, da tortura e dos 742 presos políticos, centenas deles sem qualquer ligação à luta armada. Não admira, pois, que o ministro espanhol do Interior esteja, através de uma vergonhosa ingerência, a pressionar a Justiça portuguesa para que decida a favor da extradição. Para o Estado espanhol, interessa-lhe a tese de que a ETA tem bases em Portugal. E o Expresso acorreu a ajudá-lo.



Não há bases da ETA em Portugal e a ASEH não tem, nem nunca teve, quaisquer relações ou encontros com activistas da organização armada basca. Não somos nós que o afirmamos é o Ministério da Administração Interna e os serviços de informações. É, pois, ridículo e facilmente detectável, para qualquer leitor, as mentiras construídas pelo jornalista Hugo Franco. Só uma mente delirante pode pensar que há associações que organizam “excursões” com “encontros marcados com militantes etarras, alguns deles ex-presos políticos na clandestinidade”, afirmações que nunca fizemos.



E quando dizemos que “à luz da lei espanhola eles são considerados terroristas” referíamo-nos, como afirmámos ao repórter, ao partido Batasuna, à organização juvenil Segi, à associação de apoio aos presos políticos Amnistia e a jornalistas do Egunkaria e da rádio Egin. Estas são estruturas pacíficas que foram condenadas por delito de opinião. Por isso, afirmámos que, “se seguirmos essa lógica, então já contactámos com centenas de terroristas”. Assim se cortam e colam afirmações junto a mentiras para que se pense que a ASEH é um foco de “apologistas do terrorismo”.



Hugo Franco ainda pensou que podia comprar a imparcialidade e a objectividade com as declarações de um especialista em Relações Internacionais e Segurança. Diogo Noivo não disse nada que não pudesse ser dito pelos mesmos que incitam à criminalização da solidariedade com o povo basco. O objectivo é compreensível. Não querem que se saiba que aqui ao lado existe um povo que luta pela liberdade e pela democracia. Para eles, a autodeterminação só serve quando interessa desintegrar Estados desafectos à União Europeia ou aos Estados Unidos.



Lamentamos diminuir o valor-notícia mas somos gente normal: jovens e menos jovens, trabalhadores e estudantes, mulheres e homens, de diversas tendências políticas, cujo único crime é o de defender um mundo de paz e justiça, onde não haja lugar para a opressão.



Deixamos ao leitor que julgue: mesmo que nós nos encontrássemos em "excursões" - folclore que, repetimos, não acontece, nem nunca aconteceu - com os militantes clandestinos, isto é, legalmente perseguidos pela justiça espanhola (e europeia, por força dos tratados internacionais), seríamos tão tontos que o «confessaríamos» a um repórter com o qual não estabelecemos qualquer relação de confiança?



E que jornalista é este Hugo Franco que (supostamente) obtém uma «confissão» da nossa organização como cúmplice ou encobridora de alegados criminosos na clandestinidade e não puxa a história para a primeira página do Expresso, nem sequer para título e lead da sua assim-chamada «reportagem»?



Contamos com o bom senso do leitor para desmontar esta invenção sem pés nem cabeça ou, para sermos benevolentes, esta tremenda confusão de um repórter emaranhado nos seus próprios apontamentos sem ter percebido nada do que se lhe disse.



Reafirmamos a nossa solidariedade com o povo basco e apelamos ao Estado português para que recuse a extradição dos dois cidadãos bascos para um Estado que tortura.



Associação de Solidariedade com Heuskal Herria





Fonte: ASEH

Daniel Bensaid | Filme homenagem



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Era doce mas acabou-se!



Ajudar a defender o nosso arroz é simples. Basta:




1. Informar-se! 2. Agir! 3. Divulgar!



Pela primeira vez uma empresa (a alemã Bayer) pretende comercializar arroz transgénico na União Europeia. Até aqui as plantas transgénicas estavam praticamente limitadas às rações animais. Mas agora a engenharia genética chegou directamente ao nosso prato. O que fazer?


1º passo: Informe-se!

SABIA QUE...


... o arroz é o alimento mais importante do mundo? Mais de metade da população mundial come arroz todos os dias. E, de entre os europeus, os portugueses são os maiores consumidores de arroz: cada um de nós come em média cerca de 15 quilos por ano!


... a empresa Bayer pretende que a União Europeia aprove até ao final de 2009 a importação e consumo do arroz LL62, um arroz transgénico que é muito diferente do arroz convencional tanto em termos de vitaminas (B5 e E), como em cálcio, ferro e ácidos gordos?

... o arroz transgénico LL62, da empresa Bayer, foi manipulado para se tornar resistente a grandes doses do herbicida glufosinato, também da Bayer? Isso significa que cada bago de arroz transgénico vai ter mais resíduos desse poluente do que qualquer outro tipo de arroz - e o glufosinato foi avaliado como sendo de «alto risco» para o ser humano e outros mamíferos.


... na verdade, esse herbicida glufosinato é tão tóxico que já foi decidida a sua proibição na União Europeia a partir de 2017? Se a União Europeia aprovar o arroz transgénico é como estar a dizer: «Não permitimos cá este herbicida, mas não queremos saber se abrimos as portas para este arroz ser produzido noutros países que assim vão ficar poluídos. Também não nos interessa se o glufosinato, apesar de proibido, acaba por voltar a entrar na nossa cadeia alimentar através do arroz que importarmos.»


... os resíduos do herbicida não desaparecem quando se coze o arroz?
... a entrada do arroz transgénico na Europa, segundo documentos da própria empresa Bayer, vai levar à contaminação dos campos de cultivo de arroz normal?



... a Bayer não é de confiança? Nos Estados Unidos em 2006 uma das suas variedades de arroz transgénico, apenas autorizado para testes experimentais, contaminou extensas áreas de arroz agulha e o resultado foi um prejuízo superior a 1,2 mil milhões de dólares para toda a indústria arrozeira daquele país. E a Bayer, o que fez? Descartou-se de todas as responsabilidades afirmando simplesmente em tribunal que esse acidente tinha sido «um acto de Deus»!


... esta é uma decisão sem retorno? Não existe cultivo comercial de arroz transgénico em país algum do mundo. A Bayer quer forçar a União Europeia a aprovar a importação do arroz LL62 de modo a depois começar o cultivo em países com legislação mais frágil. A consequências será a contaminação das variedades de arroz um pouco por todo o mundo. E finalmente a União Europeia ver-se-á obrigada a autorizar o cultivo transgénico também por cá, porque – tal como já acontece com outras espécies – as variedades normais de arroz terão ficado irremediavelmente comprometidas.



... nada está perdido? Ainda estão pela frente duas votações em Bruxelas, uma a nível de comité regulador e outra no Conselho de Agricultura, que ainda não têm data marcada. Portugal tem 12 votos e são necessários 91 votos contra para bloquearesta aprovação. Para a chumbar definitivamente é preciso reunir 255 votos (existe um total de 345 votos no Conselho). Se Portugal se abstiver é como se estivesse a votar a favor - só um voto contra é que interessa! Por isso vale a pena mostrar ao ministro de que lado temos de nos colocar, porque a nossa posição pode fazer a diferença na balança europeia.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Para divulgação : " Ribeiro à Presidência"


CANDIDATURA DE ANTÓNIO PEDRO RIBEIRO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


APRESENTAÇÃO DO LIVRO "UM POETA NO PIOLHO" NO PÚCAROS



António Pedro Ribeiro, poeta anarquista, diseur, performer e aderente nº 346 do Bloco de Esquerda anuncia na próxima quarta, 20, pelas 23,30 h, no bar Púcaros no Porto (à Alfândega) a sua candidatura à presidência da República nas Presidenciais/2011. O anúncio da candidatura coincide com a apresentação do livro "Um Poeta no Piolho" (Corpos Editora) no mesmo local e à mesma hora. A candidatura de António Pedro Ribeiro, embora respeite muito a figura de Manuel Alegre enquanto poeta e humanista, vai contra os entendimentos de mercearia entre o Bloco de Esquerda e o PS de Sócrates que se desenha em torno da candidatura do poeta. A candidatura de António Pedro Ribeiro é a candidatura do homem livre que está contra a economia de mercado e a social-democracia de mercado que nos enfernizam a vida. A candidatura de António Pedro Ribeiro é uma candidatura de ruptura contra todas as formas de capitalismo, estejam elas na bolsa, nos bancos ou no grande capital. É uma candidatura que não pactua com negociações e sindicatos em busca de influências, estatutos e poderes. É uma candidatura pela vida no sentido nietzscheano, pela vida autêntica, plena sem patrões nem grandes irmãos. É uma candidatura que olha para os desempregados e para os pobres sem estatísticas nem contas de mercearia. Todo o ser humano tem direito à sua subsistência e algo mais. Não tem de andar a mendigar coisa nenhuma. A candidatura de António Pedro Ribeiro é uma candidatura de rebelião e de ruptura com o instituído que acredita, com Rosa Luxemburgo, que os problemas não se resolvem no Parlamento mas sim na rua. Acredita também que o capitalismo destrói o homem e que, portanto, deve ser derrubado nas ruas como tem sido tentado na Grécia e em França. Acredita também que o melhor governo é não existir governo nenhum e que os partidos de esquerda (PCP, Bloco de Esquerda) têm feito, muitas vezes, o jogo do sistema aceitando migalhas do poder.

"Um Poeta no Piolho" é uma homenagem aos 100 anos do café "Piolho" feitos à mesa da cerveja e das mulheres que vêm ou não vêm. É o percurso de mais de 20 anos do poeta no "Piolho" em torno de discussões literárias, políticas ou amorosas, é a homenagem aos empregados e aos gerentes do "Piolho", a todos aqueles que por lá passam e continuam a passar, a todas aqueles que fizeram e que fazem do "Piolho" um café com História e recheado de estórias todos os dias.

António Pedro Ribeiro ou A. Pedro Ribeiro nasceu no Porto no Maio de 1968. É autor dos livros "Queimai o Dinheiro" (Corpos, 2009), "Um Poeta a Mijar" (Corpos, 2007), "Saloon" (Edições Mortas, 2007), "Declaração de Amor ao Primeiro-Ministro" (Objecto Cardíaco, 2006) e "Á Mesa do Homem Só. Estórias" (Silêncio da Gaveta, 2001), entre outros. Foi fundador da revista literária "Aguasfurtadas" e colaborou nas revistas "Cráse", "Bíblia", "Conexão Maringá" e "A Voz de Deus", entre outras. Foi activista estudantil na Faculdade de Letras do Porto e no Jornal Universitário do Porto. Fez performances poéticas no Festival de Paredes de Coura 2006 e 2009 (com a banda Mana Calórica) e recentemente nas "Quintas de Leitura" do Teatro Campo Alegre (Outubro de 2009). Diz regularmente poesia nos bares Púcaros e Pinguim e no Clube Literário (Poesia de Choque). "Um Poeta no Piolho" será apresentado pelo poeta Anthero Monteiro e pelo editor da Corpos Ricardo de Pinho Teixeira. O diseur Luís Carvalho dirá poemas do livro.

No dia seguinte, 21, quinta, pelas 22,00 h, António Pedro Ribeiro volta a apresentar a sua candidatura no Clube Literário do Porto, acompanhado por Luís Carvalho e pelo músico Luís Almeida, durante a habitual sessão de POESIA DE CHOQUE que tem lugar todas as terceiras quintas de cada mês.



Com os melhores cumprimentos,

António Pedro Ribeiro.

tel. 965045714

http://tripnaarcada.blogspot.com

http://partido-surrealista.blogspot.com/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Georges moustaki- Sans la nommer

Morreu Eric Rohmer, homem de palavra


Foi um escritor falhado antes de ser um cineasta excepcional. Aquele que foi ainda um brilhante crítico de cinema deixa uma obra que é um tratado sobre a natureza humana


Surpresa, morreu Eric Rohmer: era daqueles que já acreditávamos serem imortais. Como se entre ele e o "Fausto" de Murnau, o seu mais adorado filme e o seu mais adorado cineasta, houvesse, por sua vez, algum pacto. Estava prestes a fazer 90 anos (Abril) e realizara em 2007 o último filme, "Os Amores de Astrée e Celadon", belíssimo e rohmerianíssimo fecho de obra, e filme onde o cineasta que sempre fez as palavras "fazerem coisas", as fez fazer coisas inauditas. Como, por exemplo, mudar o sexo das personagens. "Efeitos especiais"? É mentira que não os haja em Rohmer, o seu cinema está cheio deles: chamam-se "palavras" e são um dos principais eixos da sua obra. Numa entrevista por ocasião da estreia do seu penúltimo filme, "Agente Triplo", em 2004, e agora reposta no site do Libération, Rohmer resumiu: "voilá, eis a minha especialidade: encenar a palavra e o seu poder."
Depois de Astrée e Celadon, Rohmer teria dito que estava na "altura da reforma". É incrível que, por mais anos que vivesse, a sua obra estivesse encerrada. Se as contas não falham, 24 longas-metragens de ficção, a que acresce um valente punhado de curtas-metragens e um sem número de trabalhos para televisão, de âmbito literário e cinematográfico, e de onde há destacar (pelo menos) dois filmes extraordinários: o episódio dedicado a Carl Dreyer na série Cinéastes de Notre Temps e, para outra série televisiva (Aller au Cinéma), Louis Lumière, fabuloso retrato da "fundação" do cinema a partir de uma conversa com (e entre) Jean Renoir e Henri Langlois. E, claro, não se pode esquecer isto, porque foi de onde tudo começou: Eric Rohmer foi um dos mais brilhantes críticos de cinema do século XX.

Apesar de ser, "grosso modo", dez anos mais velho do que os seus companheiros (Rivette, Godard, Truffaut), fez parte da "ínclita geração" dos Cahiers du Cinéma dos anos 50 (revista que dirigiu entre o final dessa década e o princípio da de 60). Antes, ainda, tinha sonhado ser escritor: a série dos "Contos Morais", por exemplo, começou por ser um projecto literário. Romancista "falhado", Rohmer converteu-se em cineasta excepcional.
Rohmer acompanhou os seus colegas mais jovens na passagem à realização, e tornou-se um nome central da nouvelle vague. Talvez por ser o mais velho, já não ter idade para sprints e, pelo contrário, ter coração de fundista, de entre os cineastas da nouvelle vague a sua estreia foi a mais discreta de todas. "Le Signe du Lion", primeira longa (em 1959/60), contemporânea do estardalhaço provocado pelos "400 Golpes" de Truffaut e pelo "Acossado" de Godard, praticamente passou despercebido. Num impasse criativo, Rohmer lembrou-se da sua frustração literária, os Contos Morais. Passou-os a filme e saiu-lhe a sorte grande: de episódio em episódio (seis, de 1963 a 1972), o seu nome foi-se firmando.
Rohmer, que não só apreciava este tipo de arrumação serialista como estimulava as rimas internas, os jogos de espelhos, os exercícios de geometria narrativa, dedicou-se ainda a mais duas séries: as Comédias e Provérbios (1981 a 1987) e, na década de 90, os Contos das Quatro Estações. Com vários filmes de permeio, todos eles altamente significativos: enquanto nas séries filmava personagens e ambientes contemporâneos, nos filmes "avulsos" dedicava-se, frequentemente, a adaptações literárias ("Perceval le Gallois", a partir de Chrétien de Troyes, e "A Marquesa d'O", baseado em Kleist, nos anos 70) e temas históricos, como nos três filmes que fez no séc. XXI, que visitam a Revolução Francesa ("A Inglesa e o Duque"), os anos 30 ("Agente Triplo") e a Gália do tempo do Império Romano ("Os Amores de Astrée e Celadon").
O Marivaux do cinema francês, chamaram-lhe muitas vezes. E muitas vezes Rohmer se dedicou aos jogos amorosos e à volatilidade das paixões, nas mais diversas circunstâncias. Gostava de repetir uma frase que tinha aprendido com um seu professor no liceu, que ao que parece desconfiava da psicanálise: "O inconsciente? O inconsciente é o corpo!" E as palavras, apenas a maneira racional de justificar e moralmente enquadrar as coisas (o desejo, a paixão) que o corpo diz sem palavras. A natureza humana: sobre ela, a obra de Rohmer é um tratado. Indispensável e inimitável

via Ípsilon ( Luis Miguel Oliveira)


Iniciativa " Fartos.Net "


Lançada em Julho de 2009, a iniciativa Fartos.net consistiu numa campanha lançada online em protesto contra a repressão no Irão após as presidenciais, nas Honduras contra o golpe de Estado e na China contra a falta de respeito do regime pelas suas minorias. Com recurso aos mais diversos instrumentos online (Blog, Twitter, Facebook, You Tube) conseguiu-se algum efeito de protesto em torno de valores tão simples como a liberdade e a democracia.




Toda a informação sobre esta iniciativa em www.fartos.net



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Fartos

José Soeiro : " Não há dignidade sem igualdade"